Ciências do ensino fundamental

Vivemos na era da Ciência e da Tecnologia. Todos os dias surgem novas descobertas. Precisamos de estar preparados para viver num mundo complexo e de rápidas mudanças científicas e tecnológicas. Temos de adquirir a capacidade de entender a ciência e de  desenvolver formas de  pensar que nos permitam adaptar à contínua evolução do Mundo. É a ciência que nos permite adquirir os conhecimentos que nos ajudarão a resolver os problemas da vida real.

 

Mas, o que é a Ciência? O cientista Richard P. Feynman disse que aprendeu o que é a Ciência com o seu pai, quando era ainda criança. No fim do jantar, ainda ele comia numa cadeira alta, o pai fazia uma brincadeira com ele usando ladrilhos de cores diferentes. Tinha de colocar os ladrilhos de maneira a formar sequências. Primeiro deixava-o deliciar-se com o jogo brincando com os ladrilhos e depois, cautelosamente, injectava-lhe “matéria de valor educativo”. Esse jogo ajudou-o quando entrou para o jardim de infância e teve de fazer um teste experimental em que deviam colar papéis coloridos em tiras verticais e fazer arranjos. A professora ficou muito admirada com o seu trabalho e mandou uma carta aos seus pais, dizendo que ele era um aluno invulgar, pois parecia ser capaz de prever que arranjo ia obter e fazia arranjos bastante complicados.

Este cientista relata ainda outros exemplos de situações vividas com o pai que o ajudaram a “aprender o que é a ciência”. Costumavam passar as férias nas montanhas Catskill, onde davam passeios pelos bosques e aprendiam tudo sobre a Natureza. Um dia um menino perguntou-lhe o nome de um pássaro que se encontrava perto deles e de cujo nome não se lembrava (diz que não é bom a decorar nomes), ao que o menino respondeu: “É um tordo de papo castanho”. Na verdade o seu pai já lhe tinha ensinado, mas disse-lhe que o nome não dizia nada do pássaro mas sim sobre as pessoas que o dizem, pois em cada língua diz-se de maneira diferente. No entanto ensinou-lhe que o pássaro canta, ajuda os seus filhos a voar, migra voando muitas milhas sempre pelo mesmo caminho, etc. “Há uma diferença entre o nome de uma coisa e o que se passa com ela.”

Segundo ele, para aprender a que diz respeito a ciência, é necessário fazer observações e muita paciência. Mas “se se vai ensinar a fazer observações, deve-se começar por mostrar que elas podem conduzir a coisas maravilhosas”. Se olharmos, observarmos e prestarmos atenção  podemos tirar disso grande recompensa. Como resultado de toda esta paciência, quando se tornou maduro, trabalhava horas a fio resolvendo problemas (ou não), e de cada vez havia um pequeno progresso em compreensão, como tinha aprendido a esperar no resultado da observação quando era criança.

Vejamos então o que diz este cientista sobre o que é a Ciência.

“Houve neste planeta uma evolução da vida até um estado em que apareceram animais evoluídos, que são inteligentes. Não quero dizer apenas seres humanos, mas animais capazes de jogar e aprender com a experiência (como os gatos). Mas, neste estado, cada animal tem de aprender com a sua própria experiência. Gradualmente, eles desenvolveram-se, até que certos animais foram capazes de aprender mais rapidamente com a sua experiência e até aprender com a experiência dos outros, observando-os e mostraram aos outros ou viram o que os outros faziam. (...) Chegou-se então a uma altura em que, para certas espécies, a taxa de aprendizagem aumentou atingindo-se uma situação para a qual, repentinamente, uma coisa completamente nova aconteceu: as coisas podiam ser aprendidas por um certo indivíduo, passadas a outro e outro, suficientemente depressa para que não se perdessem.Tornou-se possível uma acumulação de saber da raça.”

No entanto, para ele havia uma doença neste fenómeno: era possível passar saberes que não eram úteis. Então a solução reside na dúvida de que o que se está a transmitir do passado seja verdade, e tentar descobrir, novamente pela experiência, qual é a situação, em vez de aceitar a experiência do passado na forma em que ela é transmitida: “Ciência é crer na ignorância dos peritos”.

Outra qualidade da ciência, na sua perspectiva, é que ela ensina o valor do pensamento racional, assim como a importância da liberdade do pensamento.

Para Richard P. Feynman “o mundo aparece-nos tão diferente depois de aprender ciência... Por exemplo as árvores são basicamente feitas de ar. Quando se queimam voltam ao ar e no calor da chama é libertado o calor da luz do sol que foi aprisionado para converter o ar em árvore. Nas cinzas fica a pequena parte restante que não veio do ar mas sim da terra sólida”. Mas a ciência não nos ensina nada, a experiência sim, essa é que nos ensina.

Por isso não podemos ensinar ciência na sala de aula se não pusermos os alunos a observar os fenómenos, a discutir essas observações, a realizar experiências pensadas por si ou com a ajuda do professor, a descrever e discutir os dados obtidos dessas experiências, de forma a poderem descobrir por si próprios as respostas para as suas dúvidas. Os conhecimentos adquiridos em ciência, através de observações e experimentações, ajudarão as crianças a compreenderem-se a si próprias e aos outros, bem assim como ao mundo que as rodeia. Só um espírito curioso e crítico e um pensar criativo permitirão uma adaptação mais fácil às novas realidades.

Ao estudar a Natureza nas aulas de ciência, os alunos procurarão explicações para alguns dos fenómenos que nela ocorrem, aprenderão a observar o mundo que os rodeia e confrontarão opiniões, realizando experiências que os ajudarão bastante neste processo. As crianças adquirem hábitos que lhes permitem estudar, compreender e investigar tudo o que as rodeia. A disciplina de Ciências ajuda as crianças a reflectirem sobre coisas que conhecem, a descobrirem coisas novas e a encontrarem explicações para algumas das suas perguntas sobre a Vida e a Terra, e desenvolve-lhes capacidades que as ajudarão em todas as outras disciplinas.


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